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A mostrar mensagens com a etiqueta imigração

Pedro Nuno Santos e a política do nada

O mesmo Pedro Nuno Santos que há uns meses se veio insurgir contra o fim da manifestação de interesse e contra a retórica do governo no tema da imigração veio agora, numa  entrevista ao Expresso , dizer que afinal foram cometidos erros nas políticas de imigração do governo de António Costa que terão exercido pressão excessiva nos serviços públicos. Ainda que esta crítica à forma como Portugal aborda a imigração seja mais legitima no sentido em que não procura associar imigração e segurança (ou perceções de falta dela), por outro denota uma falta de convicções genuínas neste tópico. Algo extremamente problemático numa altura em que os políticos e a sua honestidade e lisura estão sob escrutínio extraordinário. A Pedro Nuno Santos exigia-se consistência, mesmo perante  sondagens que apontam para uma vantagem reforçada da AD relativamente ao PS . Pedro Nuno Santos pode pensar que com isto reposiciona o PS para melhor disputar o eleitorado, principalmente em ano de autárquica...

O país precisa de mais imigrantes, não menos

É com estupefação que tenho assistido aos debates que se geraram ao longo dos últimos meses à volta do tema da imigração fomentados pela demagogia de Pedro Passos Coelho, numa fase inicial, e, posteriormente, Luís Montenegro com a retórica das “portas escancaradas”, num esforço claro de acompanhar o extremismo do Chega. Para responder ao primeiro-ministro diretamente, não, não existe nenhuma evidência de que o país esteja de “portas escancaradas” e que sejam necessárias reformas para regressar às “portas abertas” que o mesmo apregoa aos sete ventos. Se da extrema-direita já era de esperar, da direita democrática é, no mínimo, chocante. Vejamos alguns factos básicos. Primeiro, não se verifica que o aumento da imigração nestes últimos anos  esteja a contribuir para um aumento generalizado da criminalidade , ao contrário do que o Chega (e o PSD e CDS-PP, com a retórica da “sensação de insegurança” ) querem fazer parecer. E isto não é sequer um dado surpreendente. Nos vários ...

Lamento, mas temos um milhão de racistas

No seu discurso de derrota, Pedro Nuno Santos fez questão de afirmar que Portugal não tem 18% de racistas (o milhão de eleitores que votou Chega nas eleições legislativas). Um mantra que entretanto vi repetido várias vezes. Como estratégia política, entendo a escolha de Pedro Nuno Santos de não antagonizar o eleitorado do Chega cuja maioria se presume terá votado neste partido principalmente por insatisfação com o estado do país e não pelo que o Chega tem a dizer sobre a imigração. Mas há aqui um detalhe a prestar atenção. Na verdade, dois: maioria e principalmente. Ou seja, a maioria dos eleitores Chega terá tido como principal razão para o seu voto o voto de protesto, mas nem isto isenta um número significativo de eleitores do Chega de ter como principal justificação para o seu voto a xenofobia e o racismo, nem isto isenta a maioria cujo principal móbil foi protestar várias outras escolhas políticas de conviver bem com um partido racista e xenófobo ou até de partilhar com ele esses t...

Por uma Europa aberta, humana e intercultural

É justo dizer que um pouco por toda a Europa vemos surgir vários problemas que surgem das pontas soltas do multiculturalismo. Se por um lado o multiculturalismo serviu ao longo das últimas décadas para uma coexistência pacífica entre comunidades diversas a vários níveis, por outro esse entendimento tácito sobre a relação entre a comunidade maioritária e as minoritárias foi-se deteriorando ao longo dos anos e hoje mostra-se ineficaz face ao crescimento do sentimento identitário na Europa. Perante problemas que originaram destas pontas soltas como o assassinato de Theo van Gogh nos Países Baixos ou os ataques ao Charlie Hebdo em França, a Europa entrou numa febre securitária e identitária em que, ao invés de se avaliar o que tinha corrido bem e o que tinha corrido mal, de modo a corrigir o que tinha corrido mal, decidiu-se fazer uma inversão de marcha completa na ideia de uma Europa diversa e inclusiva. A isto adicionaram-se os efeitos da crise do subprime de 2008 e a consequente crise d...

A “indecente e má figura” de Passos Coelho e da AD

A Aliança Democrática (AD) fez, esta semana, regressar Pedro Passos Coelho ao palco mediático com uma intervenção na campanha eleitoral da coligação no Algarve. A intervenção foi de pouco mais de vinte minutos e diz-se que será a única que fará durante esta campanha, mas foi tempo suficiente para nos mostrar muito sobre a situação da direita atualmente. Nos vinte e poucos minutos em que discursou, Passos Coelho tocou na economia (acusando o PS de não fazer o país crescer o suficiente), tocou na imigração (que ligou erroneamente a uma suposta perceção generalizada de insegurança), e tocou também, sem que ninguém desse nota disso, na questão das aulas de Educação para a Cidadania no sistema educativo. Foi um festim de talking points simplistas e factualmente incorretos. Comecemos pelo crescimento. Passos Coelho acusou o PS de deixar uma perspetiva de crescimento económico "miserável". Ora a perspetiva de crescimento económico do país é de 1.3% para este ano e 2.3% em 2025. Na A...

Multiculturalismo: pode a divisão unir?

Num mundo cada vez mais globalizado, o contacto entre pessoas de diferentes culturas, línguas e religiões é cada vez mais inevitável. Este tema, com todas as questões que arrasta, gera uma grande discussão. Inegavelmente, existe a necessidade de interação entre culturas e crenças diferentes, mas existe um debate em relação à forma e conteúdo desta interação. Na minha ótica, existe a necessidade de uma adaptação mútua. Tal como não se pode pedir a um imigrante que abdique da sua identidade cultural, não se pode pedir à sociedade que o acolhe que abdique da sua identidade e dos seus valores. À sociedade compete a criação de circunstâncias que promovam a aceitação da diferença, e ao imigrante compete a adaptação à sociedade que o acolheu. Basicamente, os dois elementos devem “dialogar” e estabelecer uma relação simbiótica. Obviamente, nem todos concordarão com aquilo que proponho. Existem aqueles que acreditam que somente a sociedade se deve adaptar ao imigrante que acolhe. Não exercendo,...