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A mostrar mensagens com a etiqueta PSD

Luís Montenegro é o arquiteto da queda do seu governo

Perante  a moção de confiança que o governo anunciou que irá apresentar e a previsível rejeição da mesma do PS e do Chega  (aliada à resistência do governo AD a substituir Luís Montenegro como primeiro-ministro), estamos perante um cenário de eleições antecipadas. As terceiras eleições legislativas em três anos, que, de acordo com o Presidente da República, ocorrerão  a 11 ou 18 de maio . O PSD já veio culpabilizar a provável queda do governo no PS e no Chega  com a insistência na narrativa de um casamento que Montenegro bem quer propagar, mas que não tem o mínimo de aderência à realidade. Mas como fazer esse argumento quando o primeiro-ministro teve todas as chances de resolver a situação antes dela chegar a este ponto? Perante a oportunidade que Montenegro teve de  prestar todos os esclarecimentos atempadamente e até antecipar novas questões que pudessem vir a surgir , o primeiro-ministro optou inicialmente pelo silêncio e eventualmente por respostas ins...

O país precisa de mais imigrantes, não menos

É com estupefação que tenho assistido aos debates que se geraram ao longo dos últimos meses à volta do tema da imigração fomentados pela demagogia de Pedro Passos Coelho, numa fase inicial, e, posteriormente, Luís Montenegro com a retórica das “portas escancaradas”, num esforço claro de acompanhar o extremismo do Chega. Para responder ao primeiro-ministro diretamente, não, não existe nenhuma evidência de que o país esteja de “portas escancaradas” e que sejam necessárias reformas para regressar às “portas abertas” que o mesmo apregoa aos sete ventos. Se da extrema-direita já era de esperar, da direita democrática é, no mínimo, chocante. Vejamos alguns factos básicos. Primeiro, não se verifica que o aumento da imigração nestes últimos anos  esteja a contribuir para um aumento generalizado da criminalidade , ao contrário do que o Chega (e o PSD e CDS-PP, com a retórica da “sensação de insegurança” ) querem fazer parecer. E isto não é sequer um dado surpreendente. Nos vários ...

“Identidade e Família”: o Fidesz de repente tão perto

E num instante, o espaço mediático ficou consumido pelo que 23 homens tinham a dizer sobre “identidade e família”. Tudo por causa de quem aceitou apresentar o livro intitulado precisamente “Identidade e Família”: Pedro Passos Coelho. O ex-primeiro-ministro, no exercício de um magistério de influência da qual o próprio está ciente decidiu potenciar a fracturação da sociedade portuguesa por parte de pessoas representantes do mais conservador que a nossa sociedade tem. Como se tudo isto não fosse mau que chegue, Passos Coelho insistiu durante a apresentação do livro que o governo liderado pelo seu partido (o PSD) deveria entender-se com a principal ameaça à democracia liberal portuguesa: o Chega. Não tive ocasião de ler o livro, mas das citações que estão disponíveis fica claro que se trata de um exercício de privilégio e de opressão. Um grupo de homens cisgénero e, presume-se, heterossexuais decidiram que as suas opiniões sobre temas como o casamento entre pessoas do mesmo género...

Ao cuidado do PSD: o diálogo não é um monologo

A legislatura ainda agora começou e já temos sinais do que podemos esperar deste parlamento altamente fraturado. Se, por um lado, temos o PS a disputar o papel de líder da oposição com o Chega, por outro temos uma AD, composta pelo PSD e o CDS-PP, a querer governar como se não tivessem sido pouco mais de cinquenta mil votos que lhes garantiram a vitória e como se o PSD e o PS não estivessem empatados no número de deputados eleitos . Um cenário que coloca em causa a governabilidade do país. Perante o anúncio do PS de que à partida votará contra a proposta de Orçamento do Estado do governo PSD/CDS-PP, resta saber quais as soluções que o governo procurará para ultrapassar esse impasse sem ter de negociar acordos com o Chega. Acordos esses que a AD, corretamente, rejeitou. É de louvar que até agora o “não é não” de Montenegro ao Chega se tenha mantido. O que não é de louvar é o encostar às cordas que Montenegro procurou fazer ao PS no seu discurso de tomada de posse no qual colocou o ónus ...

10 de março: o preço da alienação e da inação

Eu, como presumo a maioria dos portugueses, ainda estou a processar este verdadeiro sismo que aconteceu ao nosso sistema político nas eleições de 10 de março. Não me espanta por completo o crescimento do Chega, nem sequer a percentagem de voto. Várias sondagens anteriores tinham apontado para resultados desta ordem (a certo ponto houve sondagens que indicavam 21% de intenções de voto para o Chega). Mas entre o ver estudos de opinião e deles tirar a ilação de que estamos numa trajetória preocupante e essa mesma trajetória confirmar-se vai alguma distância. Suponho que tinha um resquício de esperança de que os 16% de indecisos de que a sondagem da Católica dava conta a 7 de março dessem, como em 2022, a volta ao texto e que pelo menos, ganhasse quem ganhasse, o Chega tivesse um resultado menor. Ora, veio a confirmar-se o que os estudos de opinião mais antigos projetavam e agora estamos no pântano (em vários sentidos). No pântano porque estamos perante um cenário de ingovernabilidade extr...

Entre Luís Montenegro e David Cameron, um oceano de diferença

Li, hoje, um  fact-check do Polígrafo , publicado 16 de dezembro de 2023, no qual se dá como verdadeira a alegação de que Luís Montenegro "assinou uma declaração de voto que não só era contra a adoção e casamento de homossexuais, mas também associava a homossexualidade a abuso sexual de menores". De acordo com este site, Luís Montenegro e um conjunto de outros deputados do PSD opuseram-se a alterações constitucionais que reforçavam o princípio da não discriminação que adicionava a orientação sexual como fator de não discriminação através de uma declaração de voto.  Esta declaração de voto afirmava que a adição de orientação sexual ao princípio da não discriminação era "redundante" e que a inclusão da orientação sexual como fonte de discriminação poderia "criar alguma confusão que importa remover", defendendo que "ciclicamente surgem correntes de opinião, cuja vertigem última distorce a própria natureza humana, mas que em nada têm contribuído para ...

A democracia depende do diálogo

Tinha dito a mim mesmo que não iria, até às eleições de 10 de março, escrever mais sobre o cordão sanitário que é necessário impor ao Chega até porque existem assuntos como o futuro da NATO e a situação na Ucrânia que também merecem atenção, mas os desenvolvimentos de ontem e a forma como foram recebidos forçam-me a voltar a abordar o assunto. Os acontecimentos em causa são as declarações de Rui Tavares em que o mesmo disse que "a direita democrática tem de ter com quem dialogar" e sinalizou disponibilidade para diálogo onde for possível ao LIVRE fazer caminho comum com a AD sem que isso ponha em causa os valores do partido. A receção? Bloco de Esquerda e PCP criticaram Rui Tavares por dizer aquilo que é óbvio e prática comum noutras democracias europeias. Aliás, as democracias europeias que citamos quando, em 2015, quebramos a tradição política portuguesa que ditava que o partido mais votado governasse, mesmo sem maioria parlamentar (à base de abstenções do principal partido...

A “indecente e má figura” de Passos Coelho e da AD

A Aliança Democrática (AD) fez, esta semana, regressar Pedro Passos Coelho ao palco mediático com uma intervenção na campanha eleitoral da coligação no Algarve. A intervenção foi de pouco mais de vinte minutos e diz-se que será a única que fará durante esta campanha, mas foi tempo suficiente para nos mostrar muito sobre a situação da direita atualmente. Nos vinte e poucos minutos em que discursou, Passos Coelho tocou na economia (acusando o PS de não fazer o país crescer o suficiente), tocou na imigração (que ligou erroneamente a uma suposta perceção generalizada de insegurança), e tocou também, sem que ninguém desse nota disso, na questão das aulas de Educação para a Cidadania no sistema educativo. Foi um festim de talking points simplistas e factualmente incorretos. Comecemos pelo crescimento. Passos Coelho acusou o PS de deixar uma perspetiva de crescimento económico "miserável". Ora a perspetiva de crescimento económico do país é de 1.3% para este ano e 2.3% em 2025. Na A...

A democracia de calculadora na mão

As sondagens (e os resultados das eleições de ontem nos Açores) indicam algo inédito na nossa democracia: uma força de extrema-direita poderá ser crucial na determinação de quais serão as soluções de governo viáveis. À data, o agregador de sondagens da Renascença coloca o Chega como terceira força mais votada com 17.9% das intenções de voto. Não obstante o facto do Partido Socialista (PS) liderar neste agregador com 30.4% (contra os 26.8% da Aliança Democrática (AD)), o agregador (tal como todas as sondagens até ao momento) indicam uma maioria de direita. O facto dessa maioria de direita ser potenciada pelo Chega coloca questões complexas para a AD, mas também para o PS. Se o PS quiser formar governo com maioria no parlamento, terá que encontrar soluções que consigam respaldo parlamentar que ultrapasse a divisão esquerda-direita que tem marcado o nosso debate político. Sendo que, à parte de um acordo com o Partido Social-Democrata (PSD), mesmo uma solução que envolva a IL poderia não s...

O PS também tem um papel a cumprir no cordão sanitário

À data, o Partido Socialista (PS) vai à frente nas sondagens, mas a esquerda não consegue formar maioria que sustente uma solução governativa de esquerda. Perante este cenário urge ao PS refletir o que fará perante uma hipotética maioria de direita quer seja a Aliança Democrática (AD) a força mais votada ou o PS face à ameaça que um Chega (que surge reforçado em todas as sondagens) coloca à nossa democracia. Se durante anos, perante uma certa ambivalência discursiva do Partido Social-Democrata (PSD) perante alianças envolvendo o Chega que só recentemente foi desfeita, o PS insistiu que o PSD clarificasse o seu posicionamento relativamente ao Chega e as suas linhas programáticas, agora eis o momento do PS clarificar o seu posicionamento no que diz respeito a fazer cumprir o seu compromisso de evitar que o Chega faça parte de qualquer solução de governo. Nesta altura urge que o PS responda abertamente se viabilizará um governo da AD de modo a evitar que seja necessário o apoio da extrema...

PSD, PS e o cordão sanitário

Desde há muito que se discute à direita o que fazer relativamente ao Chega. Se por um lado há quem, como Miguel Pinto Luz, defenda que governar com o Chega é como o PS governar com o Bloco de Esquerda e a CDU, por outro há quem, como Jorge Moreira da Silva, se oponha veemente a esta posição e denuncie as posições xenófobas, racistas e retrogradas do Chega. Este é um debate que em muito tem impedido o PSD de formar uma alternativa política sólida e credível. Desprovido do seu parceiro preferencial de governação (o CDS) e com um dos novos potenciais parceiros a defender uma agenda de extrema-direita e com esse parceiro a valer, segundo as sondagens mais recentes, 11% das intenções de voto, o PSD vê-se numa situação precária no que à governação do país diz respeito não obstante a maioria que essas mesmas sondagens dão à direita. Perante o cenário acima referido o PSD terá, à partida, de formar acordos com o Chega e a Iniciativa Liberal de modo a poder governar. Acordos esses dificultados ...