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Mensagens

Uma Europa para lá dos Estados Unidos

Foto de Christian Lue na Unsplash Nas semanas que passaram desde que Trump tomou posse pela segunda vez, vários têm sido os desenvolvimentos que têm confirmado o que desde há muito acreditava: os Estados Unidos não têm os interesses europeus em mente e a Europa deve deixar esta relação de subserviência aos interesses americanos. Seja no que diz respeito à guerra da Ucrânia, passando pelo comércio e pela defesa europeia e parando na interferência mais recente de JD Vance na Conferência de Segurança de Munique onde basicamente fez um comício em nome da direita radical e da extrema-direita europeia, num ato de clara ingerência, a Europa tem recebido várias vezes uma mensagem clara: nós fazemos o que queremos independente do efeito que isso tiver sobre vocês. Um novo rumo no comércio Sendo essa a postura norte-americana, fica claro que a Europa tem que desenvolver parcerias alternativas. A Europa não pode ficar à espera que em 2028, tudo correndo bem, a sanidade regresse à Casa Branca...

Os Democratas precisam de um novo rumo

O período da "Resistência" que se seguiu à primeira vitória de Donald Trump em 2016 foi, por vezes, constrangedor e, na maior parte do tempo, mais focado na imagem do que em política substancial. E, no entanto, dou por mim a sentir falta desses tempos. Por todos os erros que os Democratas cometeram, ao menos podia-se dar-lhes um "20" pelo esforço, mesmo que mal direcionado. No final de contas, culpar os russos, Jill Stein e um pagamento secreto à atriz de filmes para adultos Stormy Daniels pela vitória de Trump revelou-se inútil e desviou o foco dos verdadeiros problemas dos Democratas. A adesão ao pensamento neoliberal, o abandono da classe média e a ênfase excessiva na política identitária levaram-nos a um nível de absurdo que a maioria dos países progressistas da Europa nem sequer imaginaria. Por não terem aprendido as lições de 2016 e continuarem a ignorar as de 2024, a oposição Democrata a Trump tem sido completamente ineficaz (para dizer o mínimo). A sen...

Pedro Nuno Santos e a política do nada

O mesmo Pedro Nuno Santos que há uns meses se veio insurgir contra o fim da manifestação de interesse e contra a retórica do governo no tema da imigração veio agora, numa  entrevista ao Expresso , dizer que afinal foram cometidos erros nas políticas de imigração do governo de António Costa que terão exercido pressão excessiva nos serviços públicos. Ainda que esta crítica à forma como Portugal aborda a imigração seja mais legitima no sentido em que não procura associar imigração e segurança (ou perceções de falta dela), por outro denota uma falta de convicções genuínas neste tópico. Algo extremamente problemático numa altura em que os políticos e a sua honestidade e lisura estão sob escrutínio extraordinário. A Pedro Nuno Santos exigia-se consistência, mesmo perante  sondagens que apontam para uma vantagem reforçada da AD relativamente ao PS . Pedro Nuno Santos pode pensar que com isto reposiciona o PS para melhor disputar o eleitorado, principalmente em ano de autárquica...

Sejamos radicais

Há uns dias, aquando do anúncio de Alexandra Leitão como candidata do PS à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas usou o termo radical para descrever a sua principal concorrente ao posto que atualmente ocupa . Tudo isto sem nunca explicitar o porquê do radicalismo de Alexandra Leitão. Alexandra Leitão é radical porque o moderado Carlos Moedas assim o ditou. Basicamente resume-se a isto e quem disser contrário deverá também ser radical. A líder parlamentar do partido que negociou com o super-moderado governo da AD para a viabilização do orçamento de estado para este ano é uma radical sem que qualquer razão para esse “facto” tenha sido aventada. Mas engane-se quem pense que este exagero no adjetivo radical é caso isolado. É que radicais não faltam. Vejamos... Pedro Nuno Santos, quando disse que não aprovaria um orçamento que fosse fiscalmente irresponsável era radical, deixou de o ser quando viabilizou o orçamento, mas há de voltar a sê-lo quando der jeito ao PSD. Rui Tavares é um rad...

Não, Chris, não é tua culpa

Foi num concerto dos Coldplay na Índia, que Chris Martin, vocalista da banda britânica, talvez inspirado pela receção positiva do público, pela culpa internalizada por atos que não cometeu, ou pelos dois, decidiu agradecer ao público por “perdoar” os crimes coloniais do Reino Unido . Em pleno concerto Chris Martin disse, dirigindo-se ao público, “Obrigado pela boa receção apesar de sermos do Reino Unido. Obrigado por nos perdoarem por todas as coisas más que o Reino Unido fez”. Ora, há aqui vários problemas, mas comecemos por aquele que me salta logo à vista: desde quando é que os britânicos de hoje devem ser responsabilizados pelo passado do seu país? Que contributo deram os britânicos hoje vivos para o colonialismo britânico na Índia? Que contributo poderiam ter dado? A resposta é nenhum. A Índia tornou-se independente a 15 de agosto de 1947 através do India Independence Act. Fará este ano, 78 anos de independência. Para termos uma perspetiva do absurdo da ideia de que hajam mu...

A importância da utopia

Muito daquilo que hoje damos por adquirido foi, em algum tempo mais ou menos longínquo, considerado impossível, fosse pela falta de desenvolvimento tecnológico ou por dogmas e subsequentes ditames sociais. Desde a eletricidade e as vacinas à Segurança Social e o conceito de casamento por amor, a história é feita de utopias transformadas em realidade. O impossível de ontem é a realidade de hoje e é-lo porque ousamos sonhar. Ousamos desejar um mundo melhor e mais justo. Não obstante todos estes desenvolvimentos que o nosso rasgo sonhador nos trouxe, estamos hoje deparados com problemas de difícil ou aparentemente impossível resolução. As desigualdades que marcam as nossas economias e sociedades extremam-se e levam cada vez mais pessoas ao desespero. A pobreza de uns vai gerando a riqueza exacerbada de outros. Um fenómeno que expõe a necessidade de repensar os dogmas que como sociedade aceitamos em relação a conceitos como trabalho, propriedade, riqueza e redistribuição. A crise c...

O país precisa de mais imigrantes, não menos

É com estupefação que tenho assistido aos debates que se geraram ao longo dos últimos meses à volta do tema da imigração fomentados pela demagogia de Pedro Passos Coelho, numa fase inicial, e, posteriormente, Luís Montenegro com a retórica das “portas escancaradas”, num esforço claro de acompanhar o extremismo do Chega. Para responder ao primeiro-ministro diretamente, não, não existe nenhuma evidência de que o país esteja de “portas escancaradas” e que sejam necessárias reformas para regressar às “portas abertas” que o mesmo apregoa aos sete ventos. Se da extrema-direita já era de esperar, da direita democrática é, no mínimo, chocante. Vejamos alguns factos básicos. Primeiro, não se verifica que o aumento da imigração nestes últimos anos  esteja a contribuir para um aumento generalizado da criminalidade , ao contrário do que o Chega (e o PSD e CDS-PP, com a retórica da “sensação de insegurança” ) querem fazer parecer. E isto não é sequer um dado surpreendente. Nos vários ...