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Mensagens

Presidenciais: Está na hora de o PS jogar pelo Seguro

De acordo com a mais recente sondagem da Intercampus para as eleições presidenciais, temos três candidatos em empate técnico neste momento – Henrique Gouveia e Melo, que sofre uma quebra significativa no seu apoio (de 27,3% para 20,6%); Luís Marques Mendes, que desliza um pouco (cerca de um ponto percentual para 17,2%); e António José Seguro, que dispara nas sondagens (de 11% em junho para 16,5%). A margem de erro é de 4%. Esta sondagem é publicada num momento em que o PS sofre profundas divisões internas advindas na sua maioria dos resultados desastrosos das eleições de maio. Uma dessas divisões tem sido precisamente relativa ao candidato presidencial que o PS deve apoiar. Não obstante a presença de um candidato da sua área política na corrida, o PS ainda não decidiu quem apoia na corrida para Belém, sinalizando que espera uma outra candidatura que possa surgir no espaço do centro-esquerda. Esta postura não é de agora (já vem da liderança de Pedro Nuno Santos que queria que Ant...

Moderação até dizer Chega

Com a crise da habitação em plena efervescência e com urgências de obstetrícia constantemente encerradas (ver uma notícia na qual é anunciado o encerramento temporário destas urgências tornou-se quase tão banal como ver a previsão meteorológica), o governo tem-se empenhado na resolução de tudo aquilo que não era problema. Depois de sacrificar os imigrantes ao asseverar as suas condições de entrada (assegurando assim o aumento da imigração ilegal), e ao implementar restrições não só insensatas do ponto de vista utilitário (é a imigração que mantem a nossa balança demográfica minimamente equilibrada) como draconianas do ponto de vista moral, como, a título de exemplo, a decisão de dificultar a reunificação familiar, chegou a vez do governo virar os esforços de "moderação" para a Educação. O recente anúncio da revisão da disciplina de Desenvolvimento para a Cidadania é mais um flagrante exemplo da aproximação do "moderadíssimo" governo da AD ao Chega e às suas priorida...

O ódio à solta

Numa curta sucessão de dias, tivemos um incidente racista contra o representante da comunidade islâmica de Portugal, David Munir, um ataque a um ator por parte de elementos de um grupo nazi (cuja referência no Relatório Anual de Segurança Interna foi retirada pelo governo) e um ataque, no Porto, a voluntárias por parte de pessoas que as acusavam de promover a presença de imigrantes no país. Pouco depois da eleição de 60 deputados de extrema-direita, e mesmo perante a tentativa de normalização por parte do mesmo (no que diz respeito à ótica, obviamente, o cerne mantém-se imutável), estamos perante o ar dos dias. A extrema-direita sente-se empoderada e posto tudo em perspetiva, têm razões para isso. A extrema-direita olha para o parlamento e vê 60 dos seus a apresentar o segundo maior grupo parlamentar. A extrema-direita olha para o governo e vê um governo que além da supramencionada ocultação do perigo da extrema-direita do RASI, faz gáudio de propagar as falsas perceções de ins...

O muro que nunca devia ter sido derrubado

A AD tem por si só mais deputados que a totalidade da esquerda, o PS vê-se reduzido (neste momento) a 58 deputados e o Chega pode vir a ser o segundo maior grupo parlamentar. Perante este cenário de hecatombe da democracia e da esquerda várias são as questões que emergem: Poderia Pedro Nuno Santos ter feito uma campanha melhor? Deveria o PS ter-se abstido na moção de confiança? Que rumo para o futuro e como deve o PS relacionar-se com a AD neste novo parlamento? Todas estas perguntas são importantes e interessantes, mas aquela para qual me sinto mais capacitado para responder é: como chegamos a este ponto? Como é que passamos de uma maioria absoluta do PS em 2022 para ter o PS a disputar o segundo lugar com a extrema-direita? Para a resposta a essa pergunta precisamos de voltar a 2015, o ano em que se formou a geringonça. Nessa altura abriram-se dois precedentes que não se deviam ter aberto. O primeiro foi que se vetou à força mais votada (a coligação Portugal à Frente constitu...

O 25 de Abril e o desvanecer da memória histórica: a importância de recordar e manter Abril

" Graffiti Salgueiro Maia " por FraLiss está licenciado sob CC BY-SA 3.0 . Ontem celebramos os 51 anos do 25 de Abril. Do dia que Sophia de Mello Breyner descreveu como o “dia inicial e inteiro onde emergimos da noite e do silêncio”. Como é tradição, muitos foram os que foram às ruas para de cravo ao peito (ou na mão) simultaneamente celebrar a revolução e reivindicar mais – ato que por si só é uma outra forma de celebrar Abril. Este ano, porém, a sombra da autocracia fez-se sentir. Uma manifestação de extrema-direita no Martim Moniz ilustrou bem a crise dos nossos tempos: existe cada vez mais um segmento da população que prefere o 24 de abril ao dia 25. Uma população que adere a uma visão autoritária, ultraconservadora, xenófoba e racista do que este país deve ser. A manifestação foi organizada pelo Ergue-te (antigo PNR). Não sei quantas pessoas aderiram, mas sei que descambou em incidentes de violência. A extrema-direita e a direita radical vêm-se empoderadas pelo cr...

Luís Montenegro é o arquiteto da queda do seu governo

Perante  a moção de confiança que o governo anunciou que irá apresentar e a previsível rejeição da mesma do PS e do Chega  (aliada à resistência do governo AD a substituir Luís Montenegro como primeiro-ministro), estamos perante um cenário de eleições antecipadas. As terceiras eleições legislativas em três anos, que, de acordo com o Presidente da República, ocorrerão  a 11 ou 18 de maio . O PSD já veio culpabilizar a provável queda do governo no PS e no Chega  com a insistência na narrativa de um casamento que Montenegro bem quer propagar, mas que não tem o mínimo de aderência à realidade. Mas como fazer esse argumento quando o primeiro-ministro teve todas as chances de resolver a situação antes dela chegar a este ponto? Perante a oportunidade que Montenegro teve de  prestar todos os esclarecimentos atempadamente e até antecipar novas questões que pudessem vir a surgir , o primeiro-ministro optou inicialmente pelo silêncio e eventualmente por respostas ins...

Trump e JD Vance devem um pedido de desculpas à América

O lamentável espetáculo protagonizado por Trump e JD Vance hoje é uma humilhação para a democracia liberal americana e ocidental. A dupla rebaixou-se em cada ataque lançado contra Zelensky, um verdadeiro líder que permaneceu ao lado do seu povo num dos momentos mais difíceis da história da Ucrânia – a guerra iniciada pela Rússia. O Presidente Zelensky manteve-se em Kyiv mesmo quando o futuro do seu país era incerto. Num momento em que muitos esperavam que a Rússia alcançasse rapidamente os seus objetivos e chegasse à capital em pouco tempo, ele ficou. Na altura, agências noticiosas conceituadas, como a AP e a Reuters, chegaram a montar transmissões em direto na praça central onde decorreram os protestos do Euromaidan, antecipando uma possível queda da cidade. Contra todas as expectativas, quando lhe foi dada a oportunidade de fugir, Zelensky respondeu com firmeza: “Não preciso de boleia, preciso de balas” – uma declaração que desafiou as ambições imperialistas de Moscovo. Trump teria ...

Uma Europa para lá dos Estados Unidos

Foto de Christian Lue na Unsplash Nas semanas que passaram desde que Trump tomou posse pela segunda vez, vários têm sido os desenvolvimentos que têm confirmado o que desde há muito acreditava: os Estados Unidos não têm os interesses europeus em mente e a Europa deve deixar esta relação de subserviência aos interesses americanos. Seja no que diz respeito à guerra da Ucrânia, passando pelo comércio e pela defesa europeia e parando na interferência mais recente de JD Vance na Conferência de Segurança de Munique onde basicamente fez um comício em nome da direita radical e da extrema-direita europeia, num ato de clara ingerência, a Europa tem recebido várias vezes uma mensagem clara: nós fazemos o que queremos independente do efeito que isso tiver sobre vocês. Um novo rumo no comércio Sendo essa a postura norte-americana, fica claro que a Europa tem que desenvolver parcerias alternativas. A Europa não pode ficar à espera que em 2028, tudo correndo bem, a sanidade regresse à Casa Branca...

Os Democratas precisam de um novo rumo

O período da "Resistência" que se seguiu à primeira vitória de Donald Trump em 2016 foi, por vezes, constrangedor e, na maior parte do tempo, mais focado na imagem do que em política substancial. E, no entanto, dou por mim a sentir falta desses tempos. Por todos os erros que os Democratas cometeram, ao menos podia-se dar-lhes um "20" pelo esforço, mesmo que mal direcionado. No final de contas, culpar os russos, Jill Stein e um pagamento secreto à atriz de filmes para adultos Stormy Daniels pela vitória de Trump revelou-se inútil e desviou o foco dos verdadeiros problemas dos Democratas. A adesão ao pensamento neoliberal, o abandono da classe média e a ênfase excessiva na política identitária levaram-nos a um nível de absurdo que a maioria dos países progressistas da Europa nem sequer imaginaria. Por não terem aprendido as lições de 2016 e continuarem a ignorar as de 2024, a oposição Democrata a Trump tem sido completamente ineficaz (para dizer o mínimo). A sen...

Pedro Nuno Santos e a política do nada

O mesmo Pedro Nuno Santos que há uns meses se veio insurgir contra o fim da manifestação de interesse e contra a retórica do governo no tema da imigração veio agora, numa  entrevista ao Expresso , dizer que afinal foram cometidos erros nas políticas de imigração do governo de António Costa que terão exercido pressão excessiva nos serviços públicos. Ainda que esta crítica à forma como Portugal aborda a imigração seja mais legitima no sentido em que não procura associar imigração e segurança (ou perceções de falta dela), por outro denota uma falta de convicções genuínas neste tópico. Algo extremamente problemático numa altura em que os políticos e a sua honestidade e lisura estão sob escrutínio extraordinário. A Pedro Nuno Santos exigia-se consistência, mesmo perante  sondagens que apontam para uma vantagem reforçada da AD relativamente ao PS . Pedro Nuno Santos pode pensar que com isto reposiciona o PS para melhor disputar o eleitorado, principalmente em ano de autárquica...

Sejamos radicais

Há uns dias, aquando do anúncio de Alexandra Leitão como candidata do PS à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas usou o termo radical para descrever a sua principal concorrente ao posto que atualmente ocupa . Tudo isto sem nunca explicitar o porquê do radicalismo de Alexandra Leitão. Alexandra Leitão é radical porque o moderado Carlos Moedas assim o ditou. Basicamente resume-se a isto e quem disser contrário deverá também ser radical. A líder parlamentar do partido que negociou com o super-moderado governo da AD para a viabilização do orçamento de estado para este ano é uma radical sem que qualquer razão para esse “facto” tenha sido aventada. Mas engane-se quem pense que este exagero no adjetivo radical é caso isolado. É que radicais não faltam. Vejamos... Pedro Nuno Santos, quando disse que não aprovaria um orçamento que fosse fiscalmente irresponsável era radical, deixou de o ser quando viabilizou o orçamento, mas há de voltar a sê-lo quando der jeito ao PSD. Rui Tavares é um rad...

Não, Chris, não é tua culpa

Foi num concerto dos Coldplay na Índia, que Chris Martin, vocalista da banda britânica, talvez inspirado pela receção positiva do público, pela culpa internalizada por atos que não cometeu, ou pelos dois, decidiu agradecer ao público por “perdoar” os crimes coloniais do Reino Unido . Em pleno concerto Chris Martin disse, dirigindo-se ao público, “Obrigado pela boa receção apesar de sermos do Reino Unido. Obrigado por nos perdoarem por todas as coisas más que o Reino Unido fez”. Ora, há aqui vários problemas, mas comecemos por aquele que me salta logo à vista: desde quando é que os britânicos de hoje devem ser responsabilizados pelo passado do seu país? Que contributo deram os britânicos hoje vivos para o colonialismo britânico na Índia? Que contributo poderiam ter dado? A resposta é nenhum. A Índia tornou-se independente a 15 de agosto de 1947 através do India Independence Act. Fará este ano, 78 anos de independência. Para termos uma perspetiva do absurdo da ideia de que hajam mu...

A importância da utopia

Muito daquilo que hoje damos por adquirido foi, em algum tempo mais ou menos longínquo, considerado impossível, fosse pela falta de desenvolvimento tecnológico ou por dogmas e subsequentes ditames sociais. Desde a eletricidade e as vacinas à Segurança Social e o conceito de casamento por amor, a história é feita de utopias transformadas em realidade. O impossível de ontem é a realidade de hoje e é-lo porque ousamos sonhar. Ousamos desejar um mundo melhor e mais justo. Não obstante todos estes desenvolvimentos que o nosso rasgo sonhador nos trouxe, estamos hoje deparados com problemas de difícil ou aparentemente impossível resolução. As desigualdades que marcam as nossas economias e sociedades extremam-se e levam cada vez mais pessoas ao desespero. A pobreza de uns vai gerando a riqueza exacerbada de outros. Um fenómeno que expõe a necessidade de repensar os dogmas que como sociedade aceitamos em relação a conceitos como trabalho, propriedade, riqueza e redistribuição. A crise c...

O país precisa de mais imigrantes, não menos

É com estupefação que tenho assistido aos debates que se geraram ao longo dos últimos meses à volta do tema da imigração fomentados pela demagogia de Pedro Passos Coelho, numa fase inicial, e, posteriormente, Luís Montenegro com a retórica das “portas escancaradas”, num esforço claro de acompanhar o extremismo do Chega. Para responder ao primeiro-ministro diretamente, não, não existe nenhuma evidência de que o país esteja de “portas escancaradas” e que sejam necessárias reformas para regressar às “portas abertas” que o mesmo apregoa aos sete ventos. Se da extrema-direita já era de esperar, da direita democrática é, no mínimo, chocante. Vejamos alguns factos básicos. Primeiro, não se verifica que o aumento da imigração nestes últimos anos  esteja a contribuir para um aumento generalizado da criminalidade , ao contrário do que o Chega (e o PSD e CDS-PP, com a retórica da “sensação de insegurança” ) querem fazer parecer. E isto não é sequer um dado surpreendente. Nos vários ...

A erosão dos valores: o assassinato de Brian Thompson e a normalização da violência

  Na sequência do assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson , a internet foi inundada com uma variedade de reações que vão desde condenações (como é devido) até celebrações e glorificações, com estas últimas a representarem uma parcela preocupante das respostas encontradas. É possível que a dimensão destas reações – celebrações, glorificações ou simples indiferença face ao sofrimento imposto à sua família e amigos, bem como à imoralidade de tirar uma vida – esteja exagerada. Em outras palavras, a amostra de reações online pode não ser representativa da população em geral. Essa é a minha esperança. O oposto significaria que começámos a aceitar a violência como uma forma de expressão política, algo que mina os próprios alicerces de qualquer democracia. Embora seja compreensível que muitas pessoas tenham queixas legitimas em relação ao sistema de saúde americano, não devemos usar eufemismos ao descrever o que aconteceu. Se o ato foi de facto motivado pelas falhas ...

Uma reflexão sobre Israel, Palestina e o ciclo da violência

Bandeira israelita | foto de Taylor Brandon (Unsplashed) No início do ano, escrevi um texto em que classifiquei as ações de Israel na Faixa de Gaza como um genocídio, publicado  no meu blog ( Fika )  e, posteriormente,  n’ O Cidadão . Tenho, desde há algum tempo, sentido que precisava de revisitar o tema do conflito Israelo-Palestiniano de modo a clarificar aspetos que não tive oportunidade de explorar naquele texto e como resultado de uma evolução na minha perspetiva relativa ao mesmo. O primeiro ponto é que, ao contrário dos vários fanáticos que tratam Israel como a fonte de todo o mal e desrespeitam o seu povo e a sua história, eu acredito piamente no direito de Israel a existir – do povo judeu a ter o seu Estado. E tenho esse ponto como não negociável. Contrariamente a vários outros sionistas, defendo uma Israel diferente da que existe atualmente. A Israel que defendo é um país secular e progressista, sem as divisões étnicas e religiosas atuais da Israel de hoje qu...